O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir nesta quinta-feira (15) para discutir a situação no Irã, a pedido dos Estados Unidos.
O site oficial do conselho confirma que a reunião ocorrerá às 19h no horário de Brasília, na sede das Nações Unidas em Nova York, nos EUA.
A reunião ocorre enquanto o Irã vive uma onda de protestos em todo o país há três semanas. O número de mortos, devido a repressão do regime teocrático, já passa de 2.500 e mais de 18 mil pessoas foram presas, segundo organizações de direitos humanos.
O presidente americano, Donald Trump, têm ameaçado intervir na situação caso manifestantes continuem a ser reprimidos e mortos. O líder também pediu que a população continue protestando.
Na quarta-feira (14), Trump afirmou que “não há planos para execuções” no Irã e que a “matança está parando”.
“Fomos informados de que as mortes no Irã estão cessando e que não há planos de execuções”, disse ele no Salão Oval da Casa Branca. “As mortes pararam. As execuções pararam”, acrescentou.
“Não há nenhum plano para execuções, nem haverá nenhuma execução. Recebi essa informação de uma fonte confiável. Vamos nos informar. Tenho certeza de que, se isso acontecer, ficarei muito chateado”, concluiu o presidente.
Nos últimos dias, grupos de direitos humanos denunciaram que o regime condenou à morte o manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, detido há menos de uma semana, segundo um familiar e o Departamento de Estado americano.
Porém, o judiciário iraniano contestou as alegações e afirmou que ele não foi condenado à morte, segundo a agência de notícias estatal IRIB.
Entenda os protestos no Irã
Protestos antigoverno no Irã eclodiram no país no final de dezembro, em uma onda de agitação nacional que representa o maior desafio ao regime em anos.
Os protestos começaram como manifestações nos bazares de Teerã contra a inflação desenfreada, mas se espalharam pelo país e se transformaram em manifestações mais gerais contra o regime.
As preocupações com a inflação atingiram o auge na semana passada, quando os preços de produtos básicos como óleo de cozinha e frango dispararam dramaticamente da noite para o dia, com alguns produtos desaparecendo completamente das prateleiras.
A situação foi agravada pela decisão do banco central de encerrar um programa que permitia a alguns importadores acessar dólares americanos mais baratos em comparação ao restante do mercado – o que levou lojistas a aumentarem os preços e alguns a fecharem suas portas, iniciando os protestos.
A decisão dos bazaaris, como são conhecidos, é uma medida drástica para um grupo tradicionalmente alinhado à República Islâmica.
O governo liderado por reformistas tentou aliviar a pressão ao oferecer transferências diretas de quase US$ 7 por mês, mas a medida não conseguiu conter a insatisfação.
As autoridades cortaram o acesso à internet e as linhas telefônicas na quinta-feira (8) – a maior noite de manifestações nacionais até agora – deixando o Irã praticamente isolado do mundo exterior.
Organizações de direitos humanos disseram que centenas de pessoas foram mortas desde o início dos protestos.
Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã se as forças de segurança responderem com força. O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, pediu a Trump que “foque em seu próprio país” e culpou os EUA por incitarem os protestos.
