Caso Henry Borel: “mais de 70 anos para aqueles dois”, diz pai sobre júri


Após quase cinco anos da morte do filho, Henry Borel, o vereador do Rio de Janeiro Leniel Borel (PP) espera a condenação dos réus, que vão a júri popular no próximo dia 23 de março.

“Meu filho foi brutalmente assassinado na presença da mãe e do padrasto. Minha expectativa para esse júri é de muita ansiedade, e eu espero que a justiça seja feita na proporção da brutalidade que cometeram”, diz Leniel Borel em entrevista à CNN Brasil.

Em caso de condenação, Leniel espera uma pena alta para o casal: “Eu espero, no mínimo, de 50 a mais de 70 anos para aqueles dois”.

Apesar da luta pela condenação e pela pena máxima, ao pensar em justiça, o pai de Henry Borel acredita que nunca haverá reparação para a morte do filho.

“No caso como o assassinato de uma criança, uma criança que foi morta brutalmente, dificilmente a gente pode falar que vai ter justiça. Não tem justiça. Eu, Leniel, como vítima, como pai do Henry, a justiça para a gente… nunca vai ter justiça num caso como esse. O Henry foi brutalmente assassinado na presença da mãe, do padrasto”, pontua o vereador.

O parlamentar acredita que o caso esteja sólido para que o júri popular determine a condenação dos réus: Monique Medeiros, mãe de Henry Borel e do padrasto, o ex-vereador Dr.Jairinho. “O caso do meu filho foi muito bem fundamentado. São milhares de páginas, desde a fase de inquérito policial, desde a fase que os celulares são apreendidos. E um grande diferencial do caso do meu filho é a apreensão dos celulares”, comenta.

Na época, foi utilizada uma tecnologia israelense que conseguiu recuperar mensagens apagadas no celular da mãe da vítima. Ao recordar o crime, Leniel relembra o sofrimento do filho: “Se dói quando você toma uma bolada ou um soco no estômago, imagine ficar sangrando por dentro por horas. Provavelmente, o meu filho sofreu muito naquela noite”.

Caso Henry: Justiça mantém prisão de Monique Medeiros

Se fosse num país sério, se fosse num país de primeiro mundo, ambos já estariam condenados há muito tempo. Talvez outro tipo de pena, como prisão perpétua, penas mais duras, porque ali se trata de um assassinato de criança com índice de crueldade, na presença da mãe e do padrasto, pessoas que deveriam proteger, deveriam amar, cuidar. E, ao contrário, eles matam uma criança de uma forma brutal, violenta

Leniel Borel

Entenda o caso Henry Borel

Henry Borel morreu no dia 8 de março de 2021. O crime aconteceu no apartamento da mãe, Monique Medeiros, e do padrasto, o então vereador do Rio de Janeiro Dr. Jairinho. Após o caso, Jairinho foi cassado, expulso do partido Solidariedade e perdeu o registro de médico no Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro).

A criança foi levada desacordada pelo casal a um hospital, onde a equipe médica constatou que o menino já chegou sem vida à unidade. Inicialmente, a mãe e o padrasto alegaram aos investigadores que Henry havia sofrido um acidente doméstico ao cair da cama em que dormia.

O laudo de necropsia do IML (Instituto Médico-Legal) constatou que Henry sofreu 23 ferimentos distribuídos pelo corpo. A causa da morte foi apontada como hemorragia interna e laceração hepática provocadas por ação contundente.

As investigações da Polícia Civil concluíram que a criança era submetida a uma rotina de agressões e torturas praticadas por Dr. Jairinho, com o consentimento de Monique, que já havia sido alertada pela babá do menino sobre as violências pelo menos um mês antes do óbito.

Monique e Jairinho foram presos por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual.

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Manutenção da prisão

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) decidiu, em março de 2025, por unanimidade, manter a prisão preventiva de Monique. A decisão aconteceu após um vai e vem da Justiça.

Em abril de 2022, a Justiça havia concedido a Monique o direito à prisão domiciliar com monitoramento por tornozeleira eletrônica, após a ré alegar sofrer ameaças de outras detentas. Meses depois, em agosto de 2022, uma liminar do STJ (Superior Tribunal de Justiça) revogou sua prisão, permitindo que ela respondesse em liberdade.

Já em 2023, o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), atendeu a um recurso da assistência de acusação e determinou o retorno imediato de Monique ao cárcere, argumentando que a soltura contrariava a jurisprudência, dada a gravidade do crime.

(Com informações de Khauan Wood)



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/caso-henry-borel-mais-de-70-anos-para-aqueles-dois-diz-pai-sobre-juri/

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