Donald Trump renovou sua ameaça ao Irã, estabelecendo um prazo de 48 horas para que o país reabra o Estreito de Ormuz, importante rota marítima para o comércio global de petróleo. Enquanto isso, autoridades iranianas afirmaram ter utilizado um novo sistema de defesa aérea na operação que derrubou dois aviões militares dos Estados Unidos.
O prazo estabelecido por Trump termina na segunda-feira (6), e em mensagem nas redes sociais, ele advertiu que “o inferno será liberado” caso o Irã não atenda à exigência de reabrir o estreito. Em resposta, a mídia estatal iraniana declarou que “a região inteira vai se tornar um inferno se a escalada continuar”, evidenciando o aumento das tensões entre os dois países.
De acordo com Mariana Janjácomo, correspondente da CNN em Washington, o anúncio do Irã sobre o uso de novos equipamentos de defesa aérea contradiz declarações anteriores de Trump, que havia afirmado que os sistemas de defesa e radares iranianos tinham sido completamente destruídos.
“Isso mostra que de fato que o Irã ainda tem capacidade de defesa e, segundo os iranianos, se trata de novos equipamentos que estão sendo desenvolvidos mesmo em meio aos bombardeios diários dos Estados Unidos e de Israel”, destacou Janjácomo.
Ao mesmo tempo em que ameaça o Irã, Trump tem gerado atritos com países da OTAN. Durante a semana, ele sugeriu que os países europeus que recebem petróleo através do Estreito de Ormuz deveriam agir para resolver a situação. A sugestão foi mal recebida por aliados como a França. O presidente Emmanuel Macron classificou as propostas como “irrealistas”.
“Os países deixaram bem claro que não vão fazer isso porque não consideram que essa guerra seja deles, e isso preocupou o mercado”, afirmou a correspondente da CNN.
Os Estados Unidos aumentaram significativamente sua presença militar na região, com cerca de 50 mil militares no Oriente Médio ou a caminho. Não está claro, contudo, se Trump pretende ordenar uma incursão terrestre ou se as ameaças são apenas uma forma de pressão para que o Irã retorne às negociações.
A escalada de ataques continua de ambos os lados. Nos últimos dias, os Estados Unidos bombardearam uma ponte próxima à capital iraniana, enquanto o Irã derrubou dois aviões militares americanos.
Um dos caças americanos abatidos tinha dois tripulantes, sendo que um deles foi resgatado enquanto o outro permanece desaparecido. O segundo avião militar conseguiu sair do espaço aéreo iraniano antes que o piloto realizasse a manobra de ejeção. As buscas pelo tripulante desaparecido continuam tanto por forças americanas quanto iranianas.
