A defesa da delegada da PF (Polícia Federal) Valéria Vieira Pereira da Silva negou, nesta quinta-feira (14), que ela tenha realizado consultas indevidas no sistema e-Pol — utilizado pela corporação para armazenar dados e informações de investigações.
Valéria é um dos alvos da sexta fase da operação Compliance Zero, deflagrada mais cedo. Ela foi afastada de suas funções por determinação do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a ação de hoje.
A delegada e o marido, o agente aposentado da PF Francisco José Pereira da Silva, sofreram busca e apreensão em sua residência no bairro Estoril, na zona oeste de Belo Horizonte. O cônjuge teria auxiliado Valéria nas incursões ao sistema da Polícia Federal.
“A defesa ainda não teve acesso à decisão na íntegra do STF. Sobre esse possível vazamento, eu já afirmo de forma categórica que não procede, porque cada servidor da PF tem uma matrícula e um acesso restrito ao sistema da PF. Então, se esse servidor, por exemplo, não tiver cadastrado em determinada operação ou investigação, ele não consegue acessar com a matrícula dele o sistema e, por exemplo, proceder com o vazamento”, disse o advogado Bruno Correia, que também exerce a defesa de Francisco José, a jornalistas na superintedência da PF na capital mineira.
As investigações da PF apontam que o conteúdo dos acessos de Valéria ao e-Pol seria repassado a Marilson Roseno da Silva, apontado como líder operacional do núcleo “A Turma” — grupo que coordenava parte das ações ilegais do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Preso nesta quinta, o pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, seria o financiador do bando.
“Então, essa notícia de que foi feito um acesso indevido a uma investigação e a divulgação de fatos desta investigação para terceiros não prospera, porque não é possível um agente público que não esteja cadastrado em uma investigação sigilosa tenha acesso a essa investigação e retire dali informações sensíveis e passe a terceiros. A delegada e o policial federal não estão cadastrados nesta operação. Então, eles não conseguem com o token deles, com a matrícula deles, obter informações deste inquérito e divulgar a terceiros”, completou o advogado do casal.
