Copa: como foi o clima do estádio na estreia do Irã nos Estados Unidos

Resumo:

A seleção do Irã estreou na Copa do Mundo, nessa segunda-feira (15), em Los Angeles, com um empate por 2 a 2 diante da Nova Zelândia. Nas arquibancadas, o clima misturou apoio ao time nacional e manifestações políticas de iranianos-americanos contrários ao governo de Teerã.

A partida ocorreu após dias de forte tensão geopolítica. O confronto foi disputado em solo americano menos de 24 horas depois do anúncio de um acordo de paz para encerrar a guerra iniciada quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em fevereiro.

Os jogadores iranianos chegaram aos Estados Unidos no domingo, vindos de sua base de treinamentos em Tijuana, no México, para disputar a primeira partida da equipe no torneio.

No SoFi Stadium, em Los Angeles, cidade que abriga a maior comunidade iraniana fora do Irã, muitos torcedores relataram sentimentos conflitantes entre a empolgação pela Copa do Mundo, a indignação com a repressão em Teerã e a preocupação com os bombardeios americanos.

Torcedores transformam jogo do Irã em palco de manifestações

Embora a maior parte dos torcedores tenha apoiado a seleção de forma entusiasmada, muitos exibiram bandeiras pré-revolução de 1979, marcadas pelo símbolo do leão e do sol, atualmente associado a movimentos de oposição ao governo iraniano.

Alguns foram além e chegaram a torcer pela Nova Zelândia ou vaiar a própria seleção. Parte da diáspora iraniana considera a equipe nacional uma representação indireta do regime instalado em Teerã.

Do lado de fora do estádio, centenas de manifestantes realizaram protestos com bandeiras e cartazes contra o governo iraniano, ampliando o ambiente político que cercou a estreia da equipe.

O Irã havia ameaçado interromper partidas caso bandeiras não oficiais fossem exibidas ou slogans fossem entoados durante os jogos. Ainda assim, diversos torcedores com símbolos da antiga bandeira passaram pela segurança sem problemas.

Fifa evita comentar caso específico da bandeira iraniana

Questionada anteriormente sobre o tema, a Fifa apontou para suas regras que proíbem bandeiras e vestimentas de natureza política dentro das competições organizadas pela entidade.

A entidade máxima do futebol mundial, porém, não comentou especificamente sua posição sobre a bandeira pré-revolução iraniana e também não se manifestou imediatamente após a partida desta segunda-feira.

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, esteve presente no estádio para acompanhar o confronto entre Irã e Nova Zelândia.

Três torcedores vestidos com camisetas brancas estampadas com o símbolo do leão e do sol disseram ter decidido usar as peças apesar dos alertas emitidos antes da partida.

Torcedores pedem foco no futebol e deixam política de lado

“Este time não é o time do povo iraniano”, afirmou Farhad Jafargad, um dos torcedores que compareceram ao estádio usando o símbolo associado à oposição ao regime.

Outros fãs exibiram a bandeira oficial do Irã e reclamaram de provocações vindas dos manifestantes. Muitos defenderam que a atenção permanecesse voltada apenas para a seleção, carinhosamente conhecida como Team Melli.

“Estamos muito orgulhosos do nosso país”, disse Mehdi Jafari, de 57 anos, enquanto caminhava para o estádio vestindo a camisa da seleção iraniana.

“Estamos aqui para apoiar o Irã. Acho que todos deveríamos deixar a política de lado e simplesmente entrar para torcer pela Team Melli”, completou.

Guerra e polêmicas cercam participação do Irã

A presença do Irã nos jogos disputados nos Estados Unidos tem sido marcada por controvérsias ligadas ao conflito que já deixou pelo menos 7.000 mortos, a maioria no Irã e no Líbano.

O cenário sucede os protestos nacionais ocorridos em janeiro dentro do Irã, quando milhares de pessoas morreram durante a repressão conduzida pelo governo.

Nas últimas semanas, a seleção transferiu sua base de treinamentos do Arizona para o México. Paralelamente, a federação iraniana reclamou que parte de sua delegação não recebeu vistos americanos.

A entidade também afirmou que ingressos previamente destinados aos seus torcedores teriam sido cancelados, aumentando as tensões nos bastidores da participação iraniana na Copa do Mundo.

 


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