A reação à nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve até o momento se resume basicamente a isto: ele é extremamente qualificado, mas ainda existem dúvidas significativas sobre se ele agirá com base em fundamentos de política monetária ou nas vontades do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A indicação ainda precisa ser aprovada pelo Senado dos EUA e, se confirmada, Warsh sucederá o atual chair Jerome Powell do banco central norte-americano, cujo mandato termina em maio
Warsh era um notório defensor do controle da inflação durante o período em que esteve no Fed, o que sugere que ele pode preferir taxas de juros mais altas, e não mais baixas, como Trump exige. No entanto, nos últimos meses, Warsh mudou de posição e defendeu publicamente a política de Trump.
“Ele será um bom presidente do Fed, mas o quão bom ele será depende de quanta independência do Fed ele conseguirá preservar”, apontou Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s Analytics. “Ele conhece a instituição e todos nos círculos globais de bancos centrais. Mas a questão é se ele será firme o suficiente para garantir que as taxas de juros sejam definidas com base na economia e não na política”, continuou.
A Renaissance Macro Research resumiu a questão de forma mais sucinta em uma publicação nas redes sociais na manhã desta sexta-feira (30). “Kevin Warsh tem sido um forte um defensor da política monetária durante toda a carreira”, afirmou o grupo. “A postura mais “dovish” dele hoje em dia decorre de conveniência. O presidente corre o risco de ser enganado”, opinou.
A senadora democrata Elizabeth Warren, membro sênior do Comitê Bancário do Senado, disse nesta sexta-feira (30) que temia que Warsh tivesse “passado no teste de lealdade” para obter o apoio de Trump, e pediu para os outros membros não considerarem a nomeação até que Trump retire a ação judicial contra Jerome Powell e a diretora do Fed Lisa Cook.
