Do figurino à técnica: banda tributo revela desafios para viver os Beatles


A banda tributo dos Beatles, Hey Jude, revelou à CNN Brasil quais são os principais desafios para viver o quarteto de Liverpool nos palcos. Convidada para tocar no Cavern Club de São Paulo, a banda que hoje é oficialmente reconhecida como a “banda do Cavern Club no Brasil” carrega uma história que atravessa oceanos.

A relação com a casa original, em Liverpool, começou ainda nos anos 2000. De lá para cá, foram mais de 20 apresentações dos brasileiros no lendário endereço onde os Beatles iniciaram a carreira.

A dedicação passa por figurinos idênticos aos originais, pesquisados a partir de fotos históricas, e por uma verdadeira caça a instrumentos e amplificadores iguais aos usados pelo quarteto britânico. Foram mais de 13 anos buscando peças originais — um desafio que, mesmo com a internet, continua difícil e caro. Mas não basta ter o equipamento certo: é preciso tocar como eles.

“A gente tem que deixar a nossa personalidade de lado para poder encarar o personagem mesmo”, menciona Cesar Kiles, que interpreta Paul McCartney. No papo, ele ainda acrescenta que Renato, integrante que dá vida a Ringo Starr pela Hey Jude, já tinha uma carreira profissional e seu próprio estilo de tocar antes de entrar na banda tributo e teve que adaptar a sua forma de tocar, já que o famoso baterista é canhoto.

“Isso muda completamente, começo das viradas e a forma que termina com ele sendo canhoto é totalmente diferente. É o inverso do destro”, explica Thiago Gentil, que, por sua vez, dá vida a John Lennon nos palcos.

No papo, os integrantes do grupo ainda reforçam que a ideia é se diferenciar do rótulo comum de “banda cover”. A proposta, segundo eles, sempre foi outra: montar um espetáculo fiel aos detalhes dos shows dos Beatles, muito além de apenas tocar as músicas.

O repertório também reflete esse cuidado. Em uma série de apresentações divididas em três noites e três fases diferentes da carreira dos Beatles no The Cavern Club São Paulo, a banda mergulhou especialmente no período psicodélico do grupo. Para isso, precisou estudar e ensaiar músicas pouco executadas ao vivo por outras bandas, muitas delas do álbum “Revolver”, que eles consideram subestimado.

Segundo os músicos, a primeira fase dos Beatles é a mais prazerosa de tocar por ser a mais conhecida pelo público. Já a segunda fase é a mais desafiadora e, para eles, a mais interessante musicalmente. No show completo, no entanto, é preciso equilibrar as escolhas e priorizar também os clássicos que todo mundo quer ouvir.

A resposta do público, especialmente em uma casa temática como o Cavern Club, tem sido um dos pontos altos da experiência. “Todo mundo canta junto”, destacam. Para a banda, tocar em um espaço dedicado à memória dos Beatles, com fãs que conhecem cada música, transforma cada apresentação em uma celebração coletiva da história do rock.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/do-figurino-a-tecnica-banda-tributo-revela-desafios-para-viver-os-beatles/

{title}