Resumo:
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que negociações envolvendo o Irã seriam realizadas no Catar nesta terça-feira (30), e que seu enviado, Steve Witkoff, está a caminho da capital, Doha, segundo duas autoridades americanas.
No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou que não há negociações agendadas com Washington em nenhum nível para os próximos dias, embora uma delegação de especialistas iranianos vá a Doha ainda nesta semana.
Baghaei afirmou que o Irã e os EUA ainda não chegaram à fase de negociação de um acordo definitivo.
A inconsistência nas mensagens levanta novas dúvidas sobre a capacidade dos negociadores de cumprir o prazo de 60 dias, após a troca de ataques entre as duas partes no fim de semana, o que tensiona o cessar-fogo, já fragilizado.
Entenda o cenário
No Irã
Baghaei afirmou que, nos termos da Cláusula 13 do memorando entre os Estados Unidos e o Irã, as negociações para um acordo definitivo só podem começar após o início da implementação das Cláusulas 1, 4, 5, 10 e 11.
Segundo ele, os EUA emitiram licenças vinculadas à Cláusula 10 — que trata da venda de petróleo — e o Irã está acompanhando a implementação dessas medidas.
O porta-voz também informou que se está trabalhando na implementação da Cláusula 11, relativa a ativos congelados.
Nesse contexto, uma delegação de especialistas viajará para Doha ainda esta semana, disse ele, acrescentando que qualquer visita de autoridades americana ao Catar não tem relação com a viagem da delegação iraniana.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o Irã honrará seus compromissos se os EUA fizerem o mesmo, ao mesmo tempo em que alertou que Teerã responderá com firmeza a ameaças.
Ele também disse que metade dos US$ 12 bilhões em ativos iranianos congelados mantidos no Catar será devolvida a Teerã — uma questão sobre a qual os EUA emitiram declarações contraditórias.
Nos Estados Unidos
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse à Fox News que haverá conversas de alto nível acompanhadas de discussões técnicas paralelas.
“O enviado especial (Steve) Witkoff e Jared Kushner (genro de Trump) viajarão para Doha para reuniões de alto nível nesta semana”, afirmou ela.
Em Israel
O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que Trump insistiu em vincular as guerras no Líbano e com o Irã durante as negociações de cessar-fogo, apesar do desejo de seu país de tratá-las como conflitos distintos.
Ele disse que Israel recebeu apoio dos EUA para permanecer no Líbano até que o Hezbollah seja desarmado em todo o país.
No Estreito de Ormuz
A remoção de minas será realizada exclusivamente pelo Irã, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores do país, rebatendo declarações do presidente Emmanuel Macron que sugeriam uma colaboração entre a França, Omã e outros.
Mais de duas dezenas de navios comerciais transitaram por esse ponto estratégico em um período de 24 horas, segundo dados da MarineTraffic — uma fração dos níveis registrados antes do conflito.
No Líbano
O presidente do Parlamento, Nabih Berri — considerado um aliado-chave do Hezbollah —, criticou duramente o acordo mediado pelos EUA entre Israel e seu país, afirmando que ele “não será implementado”.
O conflito entre o grupo radical (apoiado pelo Irã) e as forças israelenses no sul do Líbano prosseguiu durante o fim de semana, dias depois dos países terem assinado uma nova trégua.
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