O MPF enviou à PRR-3 (Procuradoria Regional da República da 3ª Região) o caso de Fabiana Bolsonaro (PL-SP), investigada por suspeita de racismo e transfobia, para avaliar eventual foro antes do avanço da investigação.
A medida ocorre após o próprio MPF determinar a instauração de inquérito policial na Polícia Federal.
Segundo o órgão, o envio do procedimento à PRR-3 tem como objetivo verificar qual instância é competente para conduzir o caso, diante da condição de deputada estadual.
A Procuradoria Regional da República da 3ª Região atua em casos que envolvem autoridades com prerrogativa de foro no âmbito do TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), que abrange os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Em 18 de março, durante sessão da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), a deputada teria realizado “blackface” — ao pintar o corpo com base para simular pele negra — e feito declarações discriminatórias contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP).
O caso foi levado ao MPF por integrantes da Bancada Feminista do PSOL, que apontaram possíveis crimes de racismo e transfobia.
Segundo a deputada, ela estava realizando um “experimento social” para questionar a escolha de Hilton para presidir a Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados.
Relembre o caso
Ao se maquiar, Fabiana iniciou o discurso dizendo: “Trouxe o meu espelho, amarro os meus cabelos, e aqui eu vou fazer um experimento social”.
Na sequência, questionou: “Eu, sendo uma pessoa branca, vivendo tudo o que eu vivi como uma pessoa branca, agora, aos 32 anos, decidi me maquiar, me travestir como uma pessoa negra. Eu virei negra?”
No final do discurso, Fabiana Bolsonaro criticou o fato de a deputada federal Erika Hilton se tornar presidente da Comissão da Mulher. “A gente viu agora, essa semana, na Comissão Federal, lá em Brasília, que uma mulher trans, Erika Hilton, foi colocada como presidente da Comissão da Mulher […] uma trans está tirando o espaço de fala de uma mulher. Assim como várias outras estão tirando”, declarou.
Quem é a deputada Fabiana Bolsonaro?
Nascida e criada na cidade de Barrinha, interior de São Paulo, se elegeu deputada estadual em São Paulo com 65.497 votos pelo PL (Partido Liberal). Sem parentesco com a família Bolsonaro, Fabiana de Lima Barroso Souza adotou “Bolsonaro” como nome político.
A parlamentar declara, nas redes sociais, ser de extrema direita, anti-ideologias, cristã e conservadora. Defensora das pautas contra o aborto e contra as drogas, a deputada é formada em Direito e atualmente cursa duas faculdades: Jornalismo e Gestão Pública.
