O Palácio do Planalto busca acelerar uma agenda de alívio financeiro à população por meio da nova versão do Desenrola, mas o movimento já nasce sob vigilância do mercado. Por exemplo, receios de que o novo programa de renegociação de dívidas faça parte de um chamado pacote de bondades ainda mais amplo e não resolva problemas estruturais do endividamento dos brasileiros.
O governo quer que o programa chegue rapidamente à população. A portaria que regulamenta o programa de renegociação de dívidas foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta terça-feira (5) à tarde, detalhando regras de funcionamento.
Apesar de discussões prévias, é a partir de agora que as instituições financeiras terão acesso completo às normas, o que envolve treinamento de equipes e adequações técnicas para viabilizar as operações.
A equipe econômica aposta que os efeitos do programa — como redução da inadimplência, ampliação do crédito e melhora na capacidade de consumo — possam caminhar em paralelo a um ambiente de queda de juros.
Parte do mercado financeiro e da oposição, no entanto, vê risco de que a iniciativa seja interpretada como um estímulo adicional à economia em um momento sensível para o controle da inflação, especialmente em ano eleitoral.
Em entrevista ao Roda Viva nesta segunda (4), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, minimizou esse risco da inflação e afirmou que o impacto do programa é limitado diante de outros fatores que pressionam os preços, como o cenário internacional de guerras e eventos climáticos.
Nos bastidores, o governo também avalia ampliar o escopo do Desenrola. A ideia é não se restringir apenas aos inadimplentes, mas alcançar consumidores que, embora adimplentes, estão no limite do endividamento. Segundo o secretário-executivo da pasta, Rogério Ceron, novas ações seguem em estudo.
Em paralelo, o Planalto mantém aberta a discussão sobre a chamada “taxa das blusinhas”, que trata da tributação de compras internacionais de baixo valor. O tema ainda divide áreas do governo, sobretudo pelo potencial impacto sobre a indústria e o varejo nacional.
A eventual flexibilização dessa cobrança é vista internamente como mais um gesto de alívio ao consumidor – e eleitor. Ao mesmo tempo, reforça o principal desafio da equipe econômica neste momento: acelerar medidas de estímulo sem comprometer a responsabilidade fiscal nem tensionar a relação com o mercado.
