O ex-presidente nacional do PSOL Juliano Medeiros e o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) entraram com uma ação na PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) após a veiculação de uma montagem envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A imagem compartilhada por Nikolas simula Lula sendo capturado por agentes federais norte-americanos, assim como aconteceu com o ditador venezuelano Nikolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
Na ação, Medeiros e Valente acusam o deputado de direita de atentar contra a soberania nacional e contra o Estado Democrático de Direito na rede social X, antigo Twitter. Os filiados ao PSOL entendem que a postagem incita invasão dos Estados Unidos ao Brasil e pedem investigação da PGR.
“A gravidade de sua fala não está apenas na ofensa retórica, mas sim no resultado prático e imediato de fragilizar a legitimidade das instituições nacionais perante a comunidade internacional, abrindo caminho para sanções e constrangimentos de autoridades do Estado brasileiro”, diz trecho da ação, a qual a CNN Brasil teve acesso.
Medeiros e Valente também afirmaram que a conduta de Nikolas pressupõe uma quebra de decoro parlamentar, embora o deputado tenha imunidade. Se confirmada, ambos entendem que ele poderia perder o mandato.
Nas redes sociais, Medeiros escreveu: “Ninguém está acima da lei. Por isso, Ivan Valente e eu estamos apresentando uma representação na PGR contra Nikolas Ferreira. Nenhum parlamentar está protegido pela imunidade do cargo quando se trata de sugerir o sequestro do presidente do Brasil e uma invasão estrangeira, como ele fez em suas redes.”
Outras ações
A deputada Erika Hilton (PSOL) seguiu o mesmo entendimento de Medeiros e Valente ao apresentar uma representação criminal contra Nikolas pelas publicações e o senador Flavio Bolsonaro (PL) na PGR.
Na ação, Erika destacou uma publicação no X de Flávio, na qual ele diz que “Lula será deletado”. O post acompanha uma imagem de Maduro sendo acompanhado por agentes da DEA (Drug Enforcement Administration).
“A associação textual e visual não é casual, haja vista que a imagem da DEA operando prisões em solo estrangeiro, combinada com a afirmação de que ‘Lula será delatado’, induz o público a conclusão de que autoridades norte-americanas teriam competência para investigar e responsabilizar criminalmente o Presidente do Brasil, em absoluta negação dos poderes constitucionais dado ao judiciário e à jurisdição brasileira”, diz trecho da representação.
Erika pede que a PGR investigue tanto Flávio quanto Nikolas por apologia ao crime de golpe de Estado.
Já o deputado federal e líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, pediu uma instauração de inquérito na PF (Polícia Federal) pelos mesmos motivos contra Nikolas e Flávio, mas acrescentou Eduardo Bolsonaro (PL) na denúncia. Na iniciativa, Lindbergh diz haver uma “clara divisão de tarefas” entre eles.
“Flávio Bolsonaro atua como articulador, Eduardo Bolsonaro como disseminador da retórica de ameaça no exterior e Nikolas Ferreira como amplificador da mensagem traduzida via propaganda visual de impacto”, diz trecho.
No X, Lindbergh Farias pediu pela prisão “por traição e atentado contra a soberania nacional” dos três citados.
Nikolas, então, respondeu na mesma rede social: “Maduro não deve ser preso por ser um ditador, mas eu devo ser preso por um meme. Vão se lascar vão kkkkkkkkk”.
A CNN Brasil tentou contato com as equipes de Flávio, Eduardo e Nikolas Ferreira para um posicionamento, mas não teve resposta até o momento desta publicação. O espaço segue aberto para manifestação.
*Sob supervisão de Renata Souza
