As ações americanas tiveram um ano excepcional em 2025, mas os mercados emergentes roubaram a cena.
Um importante índice que acompanha ações fora dos EUA, o MSCI All Country World ex-USA, registrou ganho de 29,2% em 2025, superando com folga o aumento de 16,39% do S&P 500.
O boom da inteligência artificial beneficiou os mercados asiáticos, onde empresas de tecnologia e fabricantes de chips observaram aumentos na demanda. Na Europa, os mercados receberam impulso dos planos de gastos governamentais em defesa e melhores perspectivas de crescimento econômico.
Um dólar americano mais fraco também favoreceu as ações internacionais. Quando o dólar se enfraquece e outras moedas se fortalecem, os investimentos denominados nessas moedas tornam-se mais valiosos quando convertidos de volta em dólares.
O índice do dólar americano, que mede a força da moeda em relação a seis moedas principais, caiu aproximadamente 9,4% em 2025, seu pior ano desde 2017.
No início de 2025, as avaliações das ações americanas já estavam relativamente caras em comparação com o resto do mundo, criando um incentivo para os investidores buscarem retornos em diferentes mercados.
“Muitas coisas deram certo para as ações internacionais em 2025”, disse à CNN Internacional Michael Reynolds, vice-presidente de estratégia de investimentos da Glenmede.
“Após alguns anos de fundamentos pouco expressivos, as ações estrangeiras apresentaram um forte ano de crescimento nos lucros”, afirmou Reynolds. “Isso foi evidenciado pelo estímulo fiscal na Europa e pelo crescimento relacionado à IA na Ásia”.
Boom global da IA
Os mercados na Ásia têm surfado na onda do entusiasmo com a IA.
Empresas de tecnologia e fabricantes de chips na Coreia do Sul, Taiwan, Japão e China se beneficiaram no ano passado do interesse dos investidores em IA.
O índice Kospi da Coreia do Sul disparou quase 76% em 2025 e registrou seu melhor ano desde 1999. O Nikkei 225 do Japão ganhou 26%, impulsionado por ganhos em empresas de tecnologia e fabricantes de chips.
No Japão, as ações da fabricante de chips de memória Kioxia dispararam 536%. E na Coreia do Sul, as ações do gigante de tecnologia Samsung subiram quase 130%.
“O comércio de IA se expandiu materialmente ao longo do último ano”, afirmou Arun Sai, estrategista sênior de multi-ativos da Pictet Asset Management
“Esse otimismo tem sido cada vez mais precificado além dos EUA, se estendendo globalmente, particularmente em mercados como Coreia e Japão”.
Em Taiwan, as ações da TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company) ganharam 46,54% no ano passado e atingiram máximas históricas. Enquanto isso, as ações da Alibaba, sediada na China, dispararam 75,81% conforme a empresa abraçou a IA e lançou seu próprio chatbot.
Crescimento e defesa
As ações na Europa subiram no início de 2025, quando o governo alemão implementou reformas históricas para aumentar os gastos com defesa. As ações do setor de defesa europeu se valorizaram no ano passado, com a fabricante alemã Rheinmetall registrando alta de 154%.
Paralelamente, as perspectivas positivas para as economias da Grécia, Espanha e Polônia beneficiaram os mercados desses países. Bancos europeus como Santander e Deutsche Bank também tiveram anos excepcionais, cada um subindo cerca de 126% e ajudando a impulsionar os mercados.
O índice de referência espanhol IBEX 35 ganhou 49% e teve seu melhor ano desde 1993. O FTSE MIB italiano subiu quase 32% e teve seu melhor ano desde 1998. O DAX alemão subiu 23% e o ATHEX Composite grego ganhou 44%, cada um registrando seu melhor ano desde 2019. O índice WIG da Polônia subiu 47%.
“Em um ano em que a queda do dólar fez os investidores correrem em busca de exposição global, a Polônia ofereceu uma combinação única de crescimento e valor”, disse David Russell, diretor global de estratégia de mercado da TradeStation.
“A Grécia está finalmente se recuperando de uma crise da dívida que durou uma década”, disse Russell. “O país recuperou sua classificação de grau de investimento na Moody”s e desfrutou de um boom no turismo. É uma clássica história de recuperação após um período de empréstimos ruins e múltiplos baixos.”
O índice de referência FTSE 100 do Reino Unido ganhou 21,51% e teve seu melhor ano desde 2009. O mercado britânico iniciou 2026 com força total, ultrapassando brevemente na sexta-feira (2) a marca histórica de 10 mil pontos pela primeira vez.
Diversificação
Para investidores americanos, analistas indicam que o dólar será fundamental para avaliar os retornos das ações internacionais.
“Se o dólar continuar se enfraquecendo, as ações estrangeiras podem continuar tendo ventos favoráveis”, afirmou Reynolds, da Glenmede.
Embora os mercados internacionais tenham apresentado um ano de desempenho superior, alguns investidores argumentam que os fundamentos ainda favorecem os Estados Unidos.
“Ainda preferimos os EUA em primeiro lugar e o mercado internacional em segundo”, disse Sameer Samana, diretor de ações globais e ativos reais do Wells Fargo Investment Institute. “Acreditamos que o dólar vai se estabilizar, o que ajudará a reduzir a vantagem para as ações dos mercados emergentes”.
Wall Street segue otimista quanto às perspectivas para as ações americanas, já que os lucros corporativos têm se mostrado resilientes, e há otimismo de que a IA continuará impulsionando o crescimento dos ganhos.
Ainda assim, no ano passado, os investidores buscaram mercados internacionais para diversificar suas carteiras em meio a incertezas elevadas, e os mercados internacionais – tanto desenvolvidos quanto emergentes – provaram ser uma escolha acertada.
“Uma das maiores e mais subestimadas surpresas de 2025 foi o extraordinário desempenho superior das ações dos mercados emergentes”, afirmou Lisa Shalett, diretora de investimentos da Morgan Stanley Wealth Management, em nota de 15 de dezembro.
“Concentrar investimentos nos EUA tem beneficiado os investidores globais nos últimos 15 anos”, disse Shalett.
“No entanto, acreditamos que as mudanças nos regimes geopolíticos, monetários e fiscais, em meio a transformações tecnológicas e às restrições da dívida do mundo desenvolvido, estão criando uma necessidade de diversificação além das ações e títulos americanos para investidores de longo prazo”.
